domingo, 18 de dezembro de 2011




Ao meu estimado amigo...

Seu nome é José Luiz Rodrigues, um jovem que viveu e tem história
pra contar, lutou contra uma doença terrível, mais ela o venceu.
Por onde passou contagiou a todos com seu sorriso e seu olhar, sua
serenidade, eu queria ter dado meu último adeus mais já era tarde
demais, espero que me perdoe, de não ter sido fiel até o fim, eu
queria ter olhado em seus olhos antes que eles se fechassem, eu
queria ter te contado minhas estórias, lido meus poemas, eu queria
ter saído com você, sei lá ter tomado um sorvete, ido ao cinema, ter
visto o sol nascer...
Olha se eu fosse lhe falar o que você é pra mim, eu iria lhe contar
uma história sem fim o que é mais importante pra mim é o amor
milagre do amor que eu descobri em você...
Sabe eu descobri também é preciso saber rir e saber chorar ter medo
de trovão, mesmo sabendo que o raio já caiu em algum lugar. E nunca
ter medo, quando está em jogo a essência da vida.
Você que era tão novo tão cheio de vida, de sonhos. Porque sonhos eu
tenho certeza, você devia ter muitos. Talvez ser um bom padre ou até
mesmo se casar e ter  filhos, ser médico, advogado...,mais mesmo se
casando e tendo filhos continuar ser útil à comunidade, exercendo
uma função definida.
Você gostaria de ter terminado de cursar a universidade? Eu sei você
sempre me falava quando eu te ligava estude por mim, porque por
enquanto eu não posso! É um tempo mágico, eu lhe garanto embora as
universidades deste nosso país estejam longe de ser o que poderiam
ser, ainda assim é um tempo mágico. Como a flor que desabrocha e
entende o ar, o sol a chuva. O tempo de crescer. Não que seja
obrigatório cursar uma universidade, lógico que não. Há muitas
profissões bonitas e boas a serem exercidas e o mundo precisa de
todas elas. Já imaginou se não tivéssemos quem fizesse o nosso pão,
entregasse nossas cartas, enterrasse nossos mortos? Para isso, e são
funções vitais, não é preciso ir a universidades, claro.
Mas, talvez você gostasse...
Fico pensando será que você chegou a se apaixonar, descobriu o amor?
Aquele bater descompassado quando vemos a pessoa dos nossos sonhos,
que às vezes nem nos dão valor! Que dor que lágrimas, que desilusão.
A música de fossa tocando, olhos perdidos no espaço, e a mãe
chamando pra jantar, enquanto respondemos, como um ator de uma peça
de teatro bem trágica.
-Perdi a fome.
A fome o sono, a alegria. Tem explicação pra o amor? Não tem não.
Às vezes a gente mostra o amor para uma pessoa e ela nos diz muito
obrigado por gostar de mim, mas eu já amo alguém e meu coração é
pequeno demais para seu amor. Talvez você tenha amado, talvez...
Quando a gente começa a entender o amor, percebemos, então, que nas
menores coisa há motivos de felicidades. O cheiro de pão quente, que
vêm do forno, a água fresca que você toma o sorriso de uma criança
ou de um velhinho, o latido de um cão e até mesmo uma gota de chuva
caindo no chão. E dentro de você uma alegria vai crescendo e
deixando raízes, e você acostuma a ser feliz. E vai exigir ser
feliz, se perdoando e se amando, compreendendo que ninguém é ruim ou
perverso as pessoas são apenas infelizes.
Quando a gente entende isso, fica mais fácil compreender e amar as
pessoas.
Bom eu já falei demais...
Você morreu maninho. Se estivesse aqui entre nós, ainda seria
maravilhoso, eu iria saber se você um dia amou alguém, quais eram
seus sonhos, o que mais te irritava, o que mais te fazia rir, é tudo
tem seu tempo de vida. Há o tempo da flor, do pássaro, da grama, e
há o tempo dos amigos em flor. É eu sei que você não morreu você
apenas partiu. E você veio se despedir de mim essa semana, de
mansinho, foi tão difícil te deixar as lágrimas não deu pra segurar,
olha dá um beijo no Deus-menino por mim e por todos aqueles que te
conheceram e se encantaram com sua alma de menino.
Luiz foi eu  que escrevi essas palavras, para dizer que você foi uma
gota de Deus neste mundo, tão sofrido e sem amor. A gente ficou mais
pobre sem sua presença, mais tenho certeza que você não está mais
sofrendo. Vou parar por  aqui. E mutante como o vento, acho que isto
não é uma carta...
Façam de conta que numa terça-feira de primavera me inspirei e fiz...
uma declaração de amor ao meu anjo amigo... onde  quer  que você
esteja, estará sempre comigo Sua eterna amiga...

Sílvia Ananias Onório Rbeiro


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